Open Banking vs Open Finance

Você sabe qual é a diferença entre Open Banking e Open Finance? 

O termo Open Finance será adotado pelo Banco Central em substituição ao conceito de open banking. Isso porque o Banco Central (Bacen) pretende focar não apenas nos bancos, mas na ampliação da inovação para um sistema financeiro aberto como um todo. 

Mas, ainda que o conceito tenha começado a ser usado pelo mercado, há muitas dúvidas sobre ele. A Fliper e XP Inc. formularam uma pesquisa com mais de 2 mil investidores ativos e observaram que cerca de 60% dos brasileiros não sabem o que é o “Open Banking” e como o modelo transformará o sistema financeiro.

Neste artigo, mostraremos quais são as diferenças entre Open Banking e Open Finance e as vantagens trazidas por esses novos modelos.

Open Finance amplia conceito de Open Banking

O Open Banking é um modelo com referência europeia, principalmente do Reino Unido, no qual o sistema financeiro abre as informações dos seus produtos bancários. Essas informações são do cliente e incluem dados da conta, saldo, extrato, movimentação, possibilidade de fazer pagamentos por meio de outras plataformas, entre outros. Nesse caso, estamos falando basicamente do uso da conta corrente do cliente e de produtos tipicamente bancários, como crédito e pagamentos.

Mas, aqui no Brasil, o sistema financeiro já está bastante integrado por meio dos bancos múltiplos, que oferecem outros produtos, como seguros, investimentos, câmbio e previdência. Portanto, já houve aqui uma extensão natural para aumentar a experiência do cliente e oferecer liberdade, autonomia e modelos que dessem uma experiência completa para o usuário. 

O Banco Central (BACEN) estudou o assunto e percebeu que havia a possibilidade de uma atuação muito mais abrangente aqui no Brasil em comparação aos outros países. A ideia foi expandir o tradicional circuito de Open Banking, envolvendo produtos bancários, para produtos de outras indústrias.

Portanto, o conceito de Open Finance permite que, além dos bancos, várias organizações, como corretoras de seguros, companhias de câmbio e fundos de previdência possam oferecer produtos financeiros, obedecendo a regulações preestabelecidas. Ou seja, enquanto o Open Banking busca mudar a maneira como o sistema bancário funciona, impactando diretamente bancos e fintechs, o Open Finance amplia essa mudança para todo o sistema financeiro. 

Isso implica que essas instituições financeiras poderão ampliar o escopo no uso de dados dos clientes, possibilitando que eles tenham independência na escolha de determinado serviço.

Tanto o Open Banking quanto o Open Finance partem da premissa de que os dados pertencem ao cliente e não ao banco que está em posse daqueles dados. Isso representa uma quebra de paradigma muito grande, pois até então os bancos –  até por uma questão de sigilo bancário – protegiam esses dados, impedindo que fossem acessados por outros players do mercado. 

A posse desses dados dos clientes trazia uma vantagem competitiva muito grande para os bancos. Afinal, se um cliente se relaciona com uma instituição financeira durante muitos anos, ela passa a deter todo o seu histórico, que reflete o seu perfil e comportamento. Isso gerava uma barreira de saída para que os clientes pudessem migrar para outro banco e ter acesso a preços e serviços melhores. 

Nesse novo cenário trazido pelo Open Banking, o cliente passa a ter poder de decisão sobre os seus dados, tendo a possibilidade de movimentar suas contas a partir de diferentes plataformas.

Benefícios da integração das instituições para os clientes

A integração entre as instituições financeiras traz agora muitos benefícios para os clientes. Afinal, eles podem autorizar que os seus dados trafeguem para qualquer outra instituição com a qual eles queiram me relacionar. 

Por exemplo, vamos supor que uma pessoa queira tomar crédito. Para isso, ela compara as taxas entre os bancos e escolhe as mais vantajosas. Mas para conseguir obter esse crédito, ela precisa que a instituição do seu interesse possa ter acesso aos seus dados, saber se ela é uma boa pagadora, conhecer a sua renda, verificar se as suas contas estão em dia, etc. 

Além disso, esse novo modelo traz vantagens para os clientes que têm contas em vários bancos. Isso porque eles podem agora concentrar todos os seus dados em uma única plataforma e assim ter uma visão completa de suas finanças. Desse modo, eles têm mais facilidade para saber se estão gerenciando bem os seus recursos e para analisar as melhores oportunidades para investir.

Essa flexibilidade permite que o cliente seja inclusive mais exigente e escolha onde quer estar, de acordo com os benefícios que lhe são oferecidos. E isso gera uma competição muito sadia, que estimula as instituições financeiras a oferecer melhores preços e a criar um melhor relacionamento com os seus clientes

Com o aumento da competitividade entre as instituições financeiras, o custo dos serviços bancários e do crédito deverá diminuir. Além disso, deverá aumentar também a transparência dos bancos com o cliente — já que agora ele poderá comparar os serviços e checar todas as informações que precisa. 

Portanto, a tendência é que o mercado vai se ajustar em decorrência do aumento da gama de ofertas de produtos e serviços e dos modelos inovadores que serão estruturados. Como consequência, os clientes poderão contar com preços e tarifas menores e mais isenções de taxas. Caso haja uma plataforma que concentre todas essas informações, ela vai poder analisar o mercado e apresentar para o cliente a melhor opção com base no seu perfil, comportamento, disponibilidade de recursos e necessidades.

Vantagens também para as instituições financeiras

Algumas instituições podem ver esse novo cenário como uma ameaça de perder clientes. Mas ele também traz vantagens. Afinal, a nova regulação permitirá que todo o sistema seja mais transparente e competitivo. Além disso, com a possibilidade de aumento de ofertas de produtos e serviços, os bancos serão mais capazes de atrair novos clientes e manter aqueles já consolidados, mesmo que tenham relacionamento com outros bancos também.  

Além disso, como o Open Banking padroniza as interfaces e facilita o relacionamento com outras instituições financeiras, os bancos terão muito mais facilidade para fazer novas parcerias e trazer novos produtos e serviços para as suas plataformas.

Com a possibilidade dessas parcerias, os bancos não se sentirão mais tão pressionados para desenvolver toda sorte de produtos e serviços para agradar e reter os seus clientes. Neste novo cenário, eles agora poderão fazer uma parceria com outra instituição mais especializada naquele produto ou serviço, de uma maneira muito mais simples e rápida. Assim, os bancos poderão se concentrar em suas operações principais e melhorar o seu desempenho.

Portanto, esse novo modelo traz muitas novas oportunidades para o setor bancário. De acordo com uma estimativa da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), pelo menos 700 novas empresas devem nascer com a consolidação dessas tecnologias, quase dobrando o número atual. Além disso, o Open Banking trará muitas novas possibilidades para atuar no mercado financeiro, permitindo que os players da indústria atuem com operações voltadas para o consumidor final. Para se aprofundar no assunto, assista ao nosso webinar sobre o Open Banking.

Hiperautomação e Setor bancário

O uso das novas tecnologias de hiperautomação mudou o comportamento do consumidor e a forma com que ele lida com os serviços bancários. 

A integração de RPA (automação de processos robóticos), Inteligência Artificial e outras tecnologias permite a implementação da automação em processos que, de outra forma, seriam difíceis de automatizar. A resolução de problemas também se torna mais fácil, com um conjunto mais amplo de tecnologias à disposição para construir uma solução de automação para potencializar processos.

Embora os bancos já estivessem se movendo em direção à hiperautomação, a pandemia da COVID-19 acelerou os seus esforços nesse sentido. De acordo com um relatório da Deloitte, a pandemia remodelou o setor bancário global, inaugurando um novo cenário competitivo e estimulando uma nova onda de inovação. Ainda segundo o documento, cerca de 42% dos entrevistados antecipam um maior investimento em tecnologias de Inteligência Artificial em suas empresas no próximo ano. 

Neste artigo, mostraremos como a hiperautomação desempenha um papel crucial nas mudanças que o setor bancário atravessa atualmente. 

Como a hiperautomação auxilia os bancos

O setor bancário tem um grande potencial para implementar a hiperautomação. Esse termo foi criado pelo Gartner em 2019 para se referir ao uso de tecnologias avançadas, como Aprendizado de Máquina e RPA, para automatizar tarefas manuais. 

A hiperautomação aumenta o escopo da automação, levando-a um passo adiante. Não se trata apenas da automação de processos repetitivos, baseados em regras, pois o foco agora está mais no trabalho do conhecimento e na busca por possibilitar experiências mais dinâmicas.

A força de trabalho digital pode validar e compilar informações de várias fontes, com muito mais precisão e rapidez do que os colaboradores humanos. Automatizar verificações de conformidade e validação de dados permite um processamento de reclamações muito mais rapidamente. Ainda assim, essas tecnologias não buscam substituir os trabalhadores humanos, mas envolvê-los no processo, de modo que a tecnologia e os humanos trabalhem juntos.

Algumas das áreas do setor bancário que podem se beneficiar desses recursos incluem os relatórios regulatórios, marketing, vendas e distribuição, serviços bancários, operações de pagamentos e empréstimos, operações de back-office, suporte empresarial, entre outras. Além disso, os bancos poderiam incorporar assistentes bancários baseados em inteligência artificial (IA) e experiências de realidade aumentada e realidade virtual baseadas em sensores.

Entenda como a tecnologia ajuda a alavancar as operações

Para que a hiperautomação tenha sucesso no setor bancário, as organizações precisam reconfigurar os seus processos para incorporar mais eficiência e agilidade nas tarefas e nas ferramentas utilizadas. O próprio conceito de trabalho precisa mudar, para que a força de trabalho possa se reinventar e renovar processos, com a integração de várias tecnologias ao cenário existente. 

Em primeiro lugar, habilitar a interoperabilidade é muito importante. As ferramentas e plataformas devem ser escalonáveis e capazes de funcionar em vários sistemas. Além disso, as ferramentas precisam conseguir se integrar ao cenário existente de TI e ao software da organização, sem que para isso se mostrem invasivas. 

A seguir, veremos como os recursos de hiperautomação podem ser usados no setor bancário. 

Operações de Back-Office

Grande parte do movimento de hiperautomação no setor bancário envolve processos voltados para o cliente. Ainda assim, as operações de back-office estão cheias de ineficiências e erros humanos, que afetam negativamente a experiência do cliente.

Um dos motivos pelos quais os bancos se esquivam de automatizar as operações de back-office é que o grande número de processos e o nível de complexidade podem ser opressores. Afinal, um banco de varejo médio tem entre 300 e 800 processos de back-office.

Ainda assim, o surgimento de soluções intuitivas e abrangentes, como plataformas de gerenciamento de processos de negócios (BPM) de baixo código, facilita muito para os bancos automatizar as suas opera