Indústria 4.0 e o Brasil

Indústria 4.0

A revolução da Indústria está desde sempre presente no imaginário das pessoas, as criações de máquinas inteligentes capazes de simular o pensamento e auxiliar nas decisões estratégicas são antigos objetivos da ciência. O que considerávamos utopia tem se transformado cada vez mais em descobertas produtivas para empresas, alavancando economias de países improváveis e melhorando a qualidade de vida das pessoas.

O que conhecemos sobre a quarta revolução Industrial começou na Alemanha em 2011, com base em automação de máquinas a partir de informações em tempo real.Muito se fala e até se confunde com Lean Manufacturing, mas é importante entender que este último é uma estratégia de negócios que pode ser aprimorada neste novo momento, já a Revolução industrial 4.0 vem com impacto profundo e exponencial, por ser a fusão de tecnologias que permitem a correlação entre mundo físico, digital e biológico, primordial para o avanço industrial e econômico contemporâneo.

Compreender o passado é uma maneira muito mais simples de entender e aproveitar o presente. A revolução em curso é a progressão da automação suportada através da tecnologia, empregada dentro da sua realidade e limitação desde a Inglaterra em 1760.

A revolução industrial agora em curso refere-se principalmente à integração da Internet das coisas (IOT) na produção industrial. Neste novo paradigma, equipamentos possuem comunicação e funcionamentos descentralizados, que permitem ao sistema ajuste e reconfiguração de pontos da produção em tempo real, com base na procura e oferta instantânea.

Sob os pilares de Big Data, Robótica, Inteligência Artificial, simulações 3D, IoT, segurança cibernética, sistema de armazenamento em nuvem, manufatura auditiva e realidade aumentada. A transformação em voga faz uso principalmente de alto volume de dados para apoio de ações, baseando as atividades na análise de compilados de informações antigas, mas também dados instantâneos e não estruturados, coletados a partir de interações cada vez mais conectadas.

O contexto geral da revolução 4.0 é o de solução imediata, onde, a partir do aperfeiçoamento recorrente em tempo real, as proposta de soluções possam ser cada vez mais assertivas a cada formato de realidade, tornando as produções precisas e de baixo custo, permitindo ainda diferenças customizadas mesmo em fabricação de massa, possibilitando a reprodução de diversos modelos de uma mesma produção, sem a necessidade de interrupção para reconfiguração.

O intuito principal de toda essa mudança é alavancar a produção tradicional da indústria, diminuindo os lotes e fazendo com que cada produto seja único, concedendo ainda na linha de montagem um dono definido e opções de customizações, sem que isso altere a esteira ou o tempo total de fabricação.

Esta digitalização terá impacto decisivo nas funções de trabalho que desenvolvemos. Algumas funções tendem a serem obsoletas ou totalmente desempenhadas por máquinas. É importante entender que os empregos não serão substituídos pela automação, mas as tarefas serão modificadas, sendo tudo uma questão de modernização das funções humanas e reorganização das empresas.

Este combinado de tecnologia artificial, realidade mista e internet das coisas estão promovendo mudanças nos negócios ao redor do mundo. O objetivo principal tem sido alcançado, que é o de propiciar mais individualidade de soluções e produtos.

Cenário Geral da Indústria 4.0 

Muitos não sabem, mas a grande parte da tecnologia empregada na Indústria 4.0 é acessível para empresas de médio e pequeno porte, abrangendo o mercado total onde forem inseridas as ferramentas de inovação. Países como Japão e Alemanha mostram que mesmo sendo líderes, investem de maneira massiva em modernização efetiva.
A Irlanda revelou que atraso não deve ser impedimento, o país investiu em educação e passou a incentivar pequenas e médias empresas na criação de produtos inovadores, e hoje é considerado centro global de tecnologia além de um dos países mais revolucionários tecnologicamente da Europa.

China e os Estados Unidos também são importantes nesta evolução tecnológica, sendo o país norte-americano a nação que atualmente mais investe na área (cerca de 530 bilhões de dólares em 2017).
A China tem como maior objetivo alcançar o volume de investimento em inovação igual ao dos Estados Unidos, para vir a ser líder global em inovação. Até 2020 os investimentos em tecnologias disruptivas devem crescer até 60% (Revista Exame).

E o Brasil?

No caso do Brasil, algumas empresas já começam a aderir à nova industrialização, porém, ainda não podemos dizer que o empenho seja expressivo, fazendo com que o país ainda engatinhe na próxima onda tecnológica, mas o momento demonstra grande oportunidade para salto em inovação. O preço dos insumos para a Quarta Revolução Industrial caíram e o mercado só tende a aumentar, no entanto, falta para o Brasil definir estratégias competitivas ambiciosas para esse avanço digital.

Esta revolução tecnológica chegou para grupos seletos, à tendência é que, de acordo com a normalização dos preços a evolução digital seja cada vez mais difundida, isso necessita também de investimento governamental com incentivos fiscais para fertilizar o campo das inovações.

As potências industriais do planeta têm criado políticas públicas para adequar suas fábricas ao padrão da quarta revolução, esta é uma maneira de iniciar o processo e garantir fundamentos nos investimentos relacionados ao tema. Aqui, apenas 27% do gasto estatal vão para ações de inovação, por meio das universidades federais e centros de pesquisas públicos, onde maioria se enquadra na chamada ciência de base, que ainda precisa ser maturada até ter alguma serventia prática. Essa divisão anda na contramão do gasto típico que países aplicam para ter na ciência papel central no desenvolvimento, a Coreia do Sul, por exemplo, destina 75% dos recursos de centros de pesquisa estatais para demandas industriais.

Esse baixo estímulo estatal pode representar o círculo vicioso que temos que transpassar, pois, faz com que as empresam não sintam estímulos suficientes para destinar recursos efetivos na área. É visto pelo mercado que muitas universidades brasileiras possuem qualidade muitas vezes superior às dos Estados Unidos, porém, a pesquisa nestes centros educacionais é burocrática a ponto de desestimular iniciativas privadas. A mudança neste quadro vem com acordos público-privados em que ambos coloquem investimento no desenvolvimento industrial.

O Serviço Nacional de Aprendizagem (SENAI), em parceria com organizações sociais e os ministérios de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, mostram resultados promissores que precisam ser ampliados para melhor nossa competitividade mundial.

O Brasil ainda é pouco associado à inovação, tendo representatividade muito baixa em oportunidades de inovação, isso acontece por combinado de fatores públicos e privados, porém, o recente desequilíbrio macroeconômico com alta da inflação e aumento dos juros pode ter afetado nossos passos na revolução digital. Problemas de estrutura organizacional e cultural podem representar também uma parcela de culpa neste atraso, devemos ter em mente que a Revolução 4.0 é um esforço conjunto entre entidades públicas e o setor privado, sem esquecer a necessidade crescente em investimento educacional e pesquisa, explorando completamente todas as áreas com extensas capacidades, caso dos setores de serviços e agricultura.

O potencial do país é grande, agora, precisamos saber quais decisões serão necessárias para impulsionar esse avanço da manufatura brasileira nos próximos anos. Uma coisa é certa, nenhuma indústria tem a opção de não entrar na revolução industrial, dada a importância que ela tem para o próprio mercado, é uma questão de pura sobrevivência a empresas estarem nos canais que o consumidor reside.

Principais benefícios

As tecnologias provenientes da indústria 4.0 conseguem melhorar significativamente o rendimento produtivo das empresas, aumentando sua rentabilidade e diminuindo preços. Este fato pode garantir a qualidade de vida de boa parte da população, que se beneficiou da mesma forma das outras revoluções industriais já ocorridas ao longo de nossa história.

É preciso deixar claro também que só alcançará todos os benefícios dessa nova fase industrial, as empresas que não tiverem medo de investir e serem pioneiras na implantação de tecnologias em seus processos produtivos.
Tais evoluções e melhorias permitirão que indústrias localizadas em países em desenvolvimento possam concorrer livremente contra grandes companhias sediadas nas principais potências mundiais. Já a utilização da mão de obra barata como diferencial deve acabar, pois, com a automação cada vez mais inserida no cotidiano, ações repetitivas serão as primeiras a serem coordenadas através de robótica, deixando o serviço humano para situações mais complexas.

A digitalização irá transformar processos, agindo em funções básicas e específicas para melhorar serviços prestados e o formato da indústria. Aliado a filosofia Lean, pode auxiliar na eliminação de desperdícios, aumentar a produtividade por processos ágeis e flexíveis, implementando melhorias contínuas. A digitalização traz o benefício também de acompanhar, em tempo real, várias ações distintas, podendo auxiliar desde a produtividade de profissionais, manutenção facilitada de sistemas estratégicos e de negócios, até controle de suprimentos e matérias-primas, reduzindo custos em vários processos.

Principalmente, a Revolução Industrial 4.0 vem para melhorar as condições de trabalho e sustentabilidade, ao estudar junto com a redução de custos, ações voltadas ao convívio humano com mais qualidade, e consequentemente mais produtividade. Essa percepção é a mesma a ser usada com o consumidor, ao entender comportamentos e referências que ajustem a produção da indústria para ser mais enxuta e assertiva em suas atividades.

Não há mistério ou caminho fácil para iniciar as inovações tecnológicas. As indústrias precisam se adaptar as exigências do consumidor e aumentar a sua qualidade, enquanto o governo tem o papel de apresentar as condições necessárias para a criação de medidas que inovem os caminhos privados.

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