O que é o Open Banking e como ele transforma o setor bancário

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Com o aumento contínuo da demanda dos clientes por novos serviços financeiros, cresce também o número de executivos do setor bancário que acredita no potencial do Open Banking. 

Esse modelo de negócios traz grandes mudanças com relação aos bancos tradicionais, pois dá ao consumidor maior poder de decisão, tarifas mais competitivas e a possibilidade de migração de serviços de uma instituição para outra de modo rápido e fácil. Além disso, ele permite o compartilhamento de dados, produtos e serviços financeiros, favorecendo pagamentos e transferências rápidas e seguras, assim como faz o PIX.

O Open Banking traz muitas novas oportunidades para o setor bancário. De acordo com uma estimativa da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), pelo menos 700 novas empresas devem nascer com a consolidação dessas tecnologias, quase dobrando o número atual. 

Essa inovação já está em implantação há anos entre as instituições tradicionais, mas outubro de 2021 é a data de lançamento para a população prevista pelo Banco Central. Este artigo explica como o open banking funciona e como ele transforma o setor bancário.

Mais facilidade para realizar transações e compartilhar dados

Em tradução livre, Open Banking significa “sistema bancário aberto”. Esse termo é usado para descrever um modelo de negócios que utiliza interfaces de programação de aplicações (APIs) para compartilhar dados financeiros entre partes diferentes. Isso inclui o compartilhamento de dados entre provedores de serviços financeiros e clientes ou pessoas físicas.

Esse conceito não se limita a uma tecnologia ou solução específica, mas traz uma nova maneira de oferecer um leque maior de produtos e serviços aos clientes. O Open Banking parte da premissa de que o cliente é o dono dos seus dados. Diante da possibilidade de compartilhar essas informações com as instituições financeiras, ele terá maior autonomia para consumir produtos e serviços mais competitivos e mais adequados às suas necessidades.

No Brasil, o Open Banking foi inspirado em experiências internacionais bem-sucedidas, como o modelo britânico, mas com adaptações à nossa realidade. O compartilhamento de dados será realizado de acordo com a LGPD (Lei Geral de Proteção dos Dados Pessoais), que estabelece normas sobre como as empresas lidam com os dados pessoais e sensíveis de seus clientes e usuários.

Vale observar que o termo “open” não implica a falta de estrutura ou proteção. Pelo contrário, o compartilhamento das informações entre as instituições financeiras deverá ocorrer de maneira transparente e mediante a autorização prévia. O próprio usuário deverá definir as permissões de acesso, por meio de aplicativo ou internet banking. 

Na prática, um cliente de um Banco A será capaz de compartilhar facilmente os seus dados com um Banco B. Desse modo, o cliente poderá negociar com esse banco sem a necessidade de se tornar cliente. Ele também poderá fazer comparações entre os produtos e serviços dos diversos bancos de maneira rápida e eficaz. 

Vantagens trazidas para a população em geral

O Open Banking ajuda a modernizar as transações digitais, fortalece a segurança de dados financeiros e muda a maneira como os usuários interagem com as instituições financeiras.

Até então, muitas pessoas não tinham acesso a crédito, pois as informações mais detalhadas de consumo não estavam acessíveis para as instituições financeiras em geral. Em função disso, as taxas do setor bancário acabavam sendo mais altas. O Open Banking possibilita transferir os dados e informações dos clientes para outras instituições de maneira rápida e sem burocracia.

A implementação do Open Banking tem como principal objetivo colocar os clientes e usuários no centro das relações com as empresas. Com esse modelo, o cliente pode ter soluções e serviços novos personalizados, o que aumenta o vínculo entre ele e o banco.

Além disso, o Open Banking pode gerar a inclusão financeira de mais pessoas. Segundo o Banco Central, quase 10 milhões de brasileiros se bancarizaram entre março e outubro de 2020, mas ainda havia 36 milhões de pessoas sem relacionamento com instituições bancárias.

Novas oportunidades para o setor bancário

Nos últimos anos, os bancos digitais e fintechs prosperaram muito e ganharam espaço dos bancos tradicionais no avanço tecnológico. 

Além disso, a pandemia contribuiu para o aumento da utilização do atendimento bancário digital. Ela favoreceu especialmente as carteiras digitais e os pagamentos por aproximação como medida de redução do risco de contaminação, com o uso de QR Codes para pagamentos, doações e outras finalidades.

O Open Banking também garante muitas novas oportunidades para os bancos e instituições financeiras, pois gera mais fluxos de receita. Com ele, os bancos, fintechs e instituições financeiras podem fornecer acesso financeiro à população mais facilmente, criar produtos e serviços mais personalizados e fazer com que mais pessoas tenham acesso a empréstimos.

O Open Banking traz muitas novas possibilidades para atuar no mercado financeiro. Com esse modelo, os players da indústria poderão atuar com operações voltadas para o consumidor final. Por exemplo, o Mercado Livre, que nasceu como um marketplace, já está de olho no Open Banking e muito em breve deve se tornar um banco digital. 

Da mesma forma, as operadoras de telefonia, que já tentaram operar nessa área por meio de joint ventures no passado, agora poderão atuar com maiores chances de êxito. Além disso, varejistas e aplicativos de delivery também poderão se beneficiar com o lançamento de carteiras digitais. 

Como implementar uma estrutura Open Banking

A abordagem inovadora do Open Banking está mudando o modelo de negócios adotado pelos bancos, que até então dependiam de processos analógicos estabelecidos há centenas de anos.

Não há um modelo único para a implementação bem-sucedida de uma estratégia de Open Banking. Afinal, as instituições financeiras têm necessidades que variam de acordo com a infraestrutura atual.

O modelo de open banking funciona por meio de APIs. A principal função delas é permitir a troca de dados entre diferentes programas de software. Nesse caso, um banco troca dados diretamente com outro, mesmo quando eles têm softwares diferentes.

No Open Banking, as APIs trabalham para solucionar esse problema estabelecendo uma conexão direta entre provedores que não exijam que o cliente compartilhe as senhas. Elas também ajudam a reforçar a segurança ao permitir que o cliente determine exatamente quais informações quer compartilhar e com quem.

Porém, com as infraestruturas legadas, a introdução dessas novas tecnologias se torna ainda mais complexa. Integrá-las aos sistemas fragmentados atuais e estabelecer vínculos de comunicação e conexão muitas vezes requer um trabalho adicional. Por isso, as organizações que decidirem entrar nessa concorrência pelos serviços financeiros precisam estar preparadas de capital humano ou de tecnologias que simplifiquem o processo.

As práticas de open banking que adotam abordagens mais modernas proporcionam a agilidade e a velocidade desejadas, reduzem as despesas técnicas, criam um ambiente adaptável para a conformidade em curto e longo prazo e geram mais vantagem competitiva. Assista ao nosso webinar e conheça mais sobre o Open Banking.

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