Tendências tecnológicas Gartner 2021

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Tradicionalmente, o Gartner, uma das principais consultorias do mundo no segmento de tecnologia, fez as suas predições para 2021. As principais tendências de tecnologia estratégica deste ano destacam as tendências que irão gerar oportunidades e interrupções significativas nos próximos anos.

A consultoria destacou a necessidade de resiliência operacional e plasticidade organizacional para que as organizações possam se adaptar às condições de mudança dos negócios futuros. Selecionadas por seu potencial transformador, as tendências foram divididas em três temas principais: centricidade nas pessoas, independência de localização e entrega resiliente.

Conheça as principais tendências tecnológicas para 2021

1. Internet of Behaviors

A internet orientada aos novos comportamentos (IoB) surge à medida que muitas tecnologias capturam e usam a experiência digital das pessoas em sua vida diária.

A IoB combina tecnologias existentes que enfocam o indivíduo diretamente – reconhecimento facial, rastreamento de localização e big data, por exemplo. Ela conecta os dados resultantes a eventos comportamentais associados, como compras em dinheiro ou o uso de dispositivos.

A IoB pode reunir, combinar e processar dados de muitas fontes, sejam dados comerciais, de redes sociais ou informações governamentais. As organizações podem utilizar esses dados para influenciar o comportamento humano. Por exemplo, a telemática pode ser usada para monitorar o comportamento dos motoristas de veículos comerciais e melhorar a segurança e o desempenho do transporte.

O Gartner prevê que, até o final do ano de 2025, mais da metade da população mundial estará sujeita a pelo menos um programa IoB, seja ele comercial ou governamental. Porém, deverá haver extensos debates éticos sobre as diferentes abordagens empregadas para afetar o comportamento.

2. TX

No ano passado, o Gartner apresentou a multiexperiência como uma das principais tendências de tecnologia estratégica. Para este ano, a consultoria dá um passo adiante com a experiência total (TX), uma estratégia que conecta a multiexperiência com as experiências dos clientes, dos funcionários e dos usuários. O Gartner espera que as organizações que fornecem a TX superem os concorrentes nas principais métricas de satisfação nos próximos três anos.

As organizações precisam de uma estratégia de TX à medida que as interações se tornam mais móveis, virtuais e distribuídas. O objetivo é melhorar a experiência geral, de modo que as organizações possam entender melhor os elementos disruptivos surgidos com a Covid-19.

3. Privacy-Enhancing Computation

Nos últimos tempos, conforme a legislação global de proteção de dados amadurece, a exemplo da LGPD, as empresas enfrentam mais riscos de privacidade e não conformidade do que nunca.

Ao contrário dos controles de segurança de dados em repouso comuns, a Privacy-Enhancing Computation (computação que aprimora a privacidade) protege os dados enquanto são usados, aumentando assim o sigilo e a privacidade.

Esse modelo se baseia em três tecnologias de proteção de dados. A primeira fornece um ambiente confiável no qual os dados confidenciais podem ser analisados ​​e processados. A segunda executa análises e processamento de maneira descentralizada. E a terceira criptografa dados e algoritmos antes de análises ou processamento.

O Gartner acredita que até 2025 metade das grandes organizações implementará a Privacy-Enhancing Computation para processamento de dados em ambientes não confiáveis e adotará análise de dados com várias etapas. Desse modo, será possível aumentar a segurança nas atividades de processamento de dados altamente confidenciais  que exigem transferências de dados pessoais, monetização de dados, análise de fraude, entre outros casos.

4. Nuvem distribuída

Nessa nuvem, os serviços são distribuídos para diferentes locais físicos, mas a operação, a governança e a gestão permanecem sob responsabilidade do provedor de nuvem pública.

A nuvem distribuída fornece um ambiente ágil para cenários organizacionais com baixa latência, necessidades de redução de custos relacionados aos dados e requisitos de residência de dados. Também atende à necessidade de os clientes terem recursos de computação em nuvem mais próximos do local físico onde os dados estão armazenados e as atividades de negócios acontecem.

Segundo o Gartner, a nuvem distribuída representa o futuro da computação em nuvem. A previsão é que até 2025 a maioria das plataformas de serviço em nuvem fornecerá pelo menos alguns serviços em nuvem distribuídos que serão executados no ponto de necessidade.

5. Anywhere Operations

Basicamente, esse modelo operacional permite que os negócios sejam acessados, entregues e consumidos em qualquer ponto, seja lá onde estejam os clientes, funcionários e parceiros.

Mais do que simplesmente permitir trabalhar em casa ou interagir com os clientes virtualmente, ele possibilita experiências de valor agregado em cinco áreas principais: colaboração e produtividade, acesso remoto seguro, nuvem e infraestrutura de ponta, quantificação da experiência digital e automação para operações remotas.

No final de 2023, 40% das organizações terão aplicado operações em qualquer lugar para fornecer experiências virtuais e físicas otimizadas e combinadas para clientes e funcionários.

6. Malha de cibersegurança

A Cybersecurity Mesh (malha de segurança cibernética) permite que qualquer pessoa acesse ativos digitais com segurança, não importando onde ela e esses ativos estejam localizados. Ela separa a aplicação de políticas da tomada de decisões através de um modelo de entrega em nuvem e permite que a identidade de uma pessoa defina o perímetro de segurança.

A orquestração e a aplicação de políticas centralizadas desse modelo facilitam uma abordagem de segurança mais responsiva. Por isso, segundo o Gartner, até 2025 a malha de segurança cibernética oferecerá suporte a mais da metade das solicitações de controle de acesso digital.

7. Intelligent Composable Business

Os processos de negócios estáticos eram tão frágeis que se estilhaçaram com o choque da pandemia. Mas as empresas estão começando a entender a importância de que os negócios tenham capacidade para se adaptar rapidamente às mudanças.

Um negócio inteligente e combinável muda radicalmente a estrutura de seus processos de tomadas de decisão, melhorando o acesso à informação e respondendo a ela com mais agilidade. Também é preciso buscar o aumento da autonomia e da democratização em toda a organização, permitindo que todos os setores reajam rapidamente às mudanças, em vez de serem atrasados por processos ineficientes.

A tendência é de que as máquinas vão aprimorar a tomada de decisões no futuro, graças a uma rica rede de dados e insights. Negócios inteligentes e combináveis abrirão caminho para novos modelos de negócios digitais, operações autônomas e novos produtos, serviços e canais.

8. Engenharia de IA

Atualmente, projetos de IA enfrentam problemas de manutenção, escalabilidade e governança em boa parte das empresas. Uma pesquisa do Gartner mostra que apenas 53% dos projetos passam de protótipos de Inteligência Artificial (IA) à produção.

Para viabilizar a produção de IA, é necessário recorrer à engenharia de IA, uma disciplina focada na governança e no gerenciamento do ciclo de vida de uma ampla gama de IA operacionalizada e modelos de decisão, como aprendizado de máquina ou gráficos de conhecimento.

A engenharia de IA se baseia em três pilares principais: DataOps, ModelOps e DevOps. Uma estratégia robusta de engenharia de IA facilitará o desempenho, a escalabilidade, a interpretabilidade e a confiabilidade dos modelos de IA.

9. Hiperautomação

Segundo o Gartner, a hiperautomação agora é inevitável e irreversível. A consultoria define a hiperautomação como “a ideia de que tudo que pode ser automatizado em uma organização deve ser automatizado”. E prevê que a hiperautomação será uma grande tendência em 2021.

A hiperautomação orientada a negócios é uma abordagem que as organizações usam para identificar, examinar e automatizar rapidamente o maior número possível de processos de TI e negócios aprovados.

Segundo o Gartner, a hiperautomação é a chave para a excelência operacional digital e a resiliência operacional para as organizações. Ela permite automatizar tarefas, processos e orquestrar automação em áreas funcionais.

Embora a hiperautomação já fosse uma tendência que vinha crescendo num ritmo implacável nos últimos anos, a pandemia aumentou ainda mais a necessidade de que tudo seja “digital primeiro”. Nesse contexto, mais de 70% das empresas foram levadas a implementar iniciativas de hiperautomação.

A aceleração dos negócios digitais exige eficiência, rapidez e democratização. Porém, segundo o relatório do Gartner, muitas organizações ainda são apoiadas por uma “colcha de retalhos” de tecnologias legadas que não são enxutas, otimizadas, conectadas, limpas ou explícitas. Mas aquelas que não se concentrarem em eficiência, eficácia e agilidade de negócios serão abandonadas.

Nesse contexto em que a aceleração digital é a regra do jogo, os líderes de negócios estão clamando pela excelência operacional no ambiente digital. Isso foi ainda mais acelerado pela Covid-19, que rapidamente pressionou as organizações a permitirem mais opções remotas. Nesse contexto, as organizações tiveram que digitalizar os seus dados e garantir que os seus negócios e fluxos de trabalho se tornassem digitais.

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