Uso de IA para compreender o comportamento dos clientes

Muitos debates têm sido promovidos entre profissionais de tecnologia sobre a existência de algoritmos “preconceituosos”, que seriam desenvolvidos sem atentar para as questões éticas e sociais. 

Recentemente, o reconhecimento facial foi assunto de uma polêmica envolvendo o Twitter. Muitos usuários verificaram que o algoritmo da rede social centralizava a prévia das imagens postadas em pessoas brancas, e nunca em negras. Eles então fizeram diversas tentativas para que a ferramenta centralizasse a foto na timeline em um rosto de uma pessoa negra. Porém, ela sempre desviava o foco das imagens, o que levantou a suspeita de que esse problema seria motivado pelo racismo. 

Essa não é a primeira vez que o uso tecnologia de reconhecimento facial é debatido. Também já existem casos em que ela foi utilizada pela polícia, para fins de segurança pública, e acabou resultando na prisão de pessoas inocentes, em razão de erros no sistema. Para evitar problemas como esse, os engenheiros precisam pensar em processos de checagem de todo tipo de preconceito ou viés ideológico ao desenvolver as aplicações. 

O uso de tecnologias tem sido alvo de muita polêmica, e muitas vezes as experiências negativas tendem a repercutir na mídia mais do que as positivas. Infelizmente, as novas tecnologias também podem reproduzir preconceitos e estruturas sociais arraigadas. Afinal, elas são alimentadas por dados prévios e acabam reproduzindo problemas existentes em nossa sociedade. Embora tenha havido grandes avanços na área tecnológica, as questões éticas e sociais envolvidas no uso dessas ferramentas ainda precisam ser amadurecidas.

Mas precisamos considerar também o lado positivo dessas novas ferramentas, que podem auxiliar em muitos setores da sociedade. Neste artigo, vamos mostrar como tecnologias como reconhecimento facial e de emoções podem ser utilizadas para resolver problemas em nosso dia a dia.  

Além da polêmica: identificação facial traz avanços

Os novos desenvolvimentos no campo do reconhecimento facial computadorizado permitem a identificação em tempo real da expressão facial mesmo em ambientes sociais. Por isso, essa tecnologia tem sido muito usada em sistemas de segurança.

Por exemplo, o reconhecimento facial é capaz de reconhecer os rostos dos funcionários para permitir ou não a sua entrada em um prédio ou verificar automaticamente os nomes na lista de presenças. Essa solução é muito mais segura e conveniente do que as chaves e cartões de identidade tradicionais, pois esses objetos podem ser facilmente perdidos ou roubados.

Essa tecnologia também tem auxiliado a polícia no combate à criminalidade. No carnaval de 2019, um homem fantasiado foi preso em Salvador, depois de ser capturado pelo sistema de reconhecimento facial adquirido pelo governo da Bahia. Ele era procurado desde 2017 por homicídio.

A tecnologia de detecção de emoções

Graças à “detecção de emoções”, as máquinas podem agora identificar sentimentos de raiva, medo, nojo e tristeza. A detecção de emoções requer o uso de pelo menos duas tecnologias distintas: visão computacional, para identificar com precisão as expressões faciais, e algoritmos de aprendizado de máquina, para analisar e interpretar o conteúdo emocional dessas características faciais.

Geralmente, a segunda etapa emprega uma técnica chamada aprendizado supervisionado, um processo no qual um algoritmo é treinado para reconhecer coisas que já viu antes. A ideia básica é que se você mostrar ao algoritmo milhares de imagens de rostos felizes com o rótulo “feliz”, quando encontrar uma nova foto de um rosto feliz, ele será capaz identificá-lo de tal forma.

Os pesquisadores têm trabalhado ativamente em algoritmos de visão por computador que podem determinar as emoções e as intenções dos humanos por pelo menos uma década. Porém, as investigações sobre a expressão da emoção levantam questões sobre como as nossas emoções básicas podem ser compartilhadas entre as culturas.

Uma figura importante nessas investigações é o psicólogo norte-americano Paul Ekman. Na década de 1960, ele levantou a hipótese de que todos os humanos exibem um pequeno número de emoções universais que são inatas, transculturais e consistentes.

Ekman identificou seis emoções que pessoas em todo o mundo apresentam e são capazes de reconhecer: tristeza, medo, surpresa, repulsa, raiva e alegria. Essas emoções puderam ser padronizadas e automatizadas facilmente pelo campo da visão computacional. Por isso, muitas das ferramentas de reconhecimento de emoções usadas hoje em dia se baseiam nessa categorização.

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